Para que serve
Este tutorial explica como preparar e conferir uma NF-e própria de entrada de importação no RWA, com os documentos do despacho e os valores apurados para a operação. Também apresenta os caminhos de Adição e exportação.
O importador emite a nota brasileira de entrada. A invoice do fornecedor estrangeiro e a declaração aduaneira são documentos usados no preenchimento. Para receber uma NF-e brasileira já emitida por outro fornecedor, consulte Importar XML.
O que é nacional e o que é orientação paulista
| Assunto | Abrangência | Como usar este manual |
|---|---|---|
| Leiaute da NF-e, grupos de impostos e dados aduaneiros | Nacional | Preencha os campos exigíveis para a operação e para a versão vigente do leiaute. |
| II, IPI, PIS/COFINS-Importação e regras aduaneiras | Federal | Use a classificação fiscal e a memória de cálculo do despacho, considerando o regime e a data. |
| ICMS: alíquota, redução de base, benefício e recolhimento | Estadual | Confirme a UF competente e sua legislação com o responsável fiscal. O local do desembaraço, sozinho, não define toda a tributação. |
| Composição da NF-e descrita na seção paulista abaixo | São Paulo | A referência é a Decisão Normativa CAT 06/2015. Para outra UF, obtenha a orientação aplicável antes de reproduzir essa composição. |
Autorização da SEFAZ não é confirmação de que todos os valores e enquadramentos fiscais estão corretos. Essa distinção também consta na orientação oficial da SEFAZ-PR sobre NF-e, baseada no Ajuste SINIEF 07/2005.
Este roteiro trata do preenchimento usual da importação por conta própria. Importação por conta e ordem, por encomenda, regimes especiais e situações com suspensão ou benefício exigem orientação específica.
1. Separe os documentos antes de lançar
Solicite ao despachante e ao contador:
- declaração DI ou DUIMP e documentos do desembaraço;
- invoice, quantidades, NCM, unidades comercial e tributável, conversão para reais e valor aduaneiro por item;
- bases, alíquotas e valores de cada tributo, com os comprovantes de recolhimento ou dispensa;
- CFOP, origem da mercadoria, CST/CSOSN aplicável, enquadramento do IPI e fundamento dos benefícios;
- despesas que entram na NF-e, seus rateios e o total esperado;
- orientação sobre efeitos no estoque, no financeiro e na escrituração.
Uma nota antiga do mesmo fornecedor ajuda a localizar cadastros. Os impostos da operação atual precisam ser conferidos novamente.
2. Entenda a composição para São Paulo
Na orientação paulista, produtos e tributos devem ocupar seus campos próprios. O total representa os componentes fiscais da importação. Consulte a Decisão Normativa CAT 06/2015.
| Componente | Preenchimento na orientação paulista |
|---|---|
| Valor dos produtos | Valor aduaneiro em reais, distribuído pelos itens. Frete e seguro internacionais já incluídos nesse valor não devem ser repetidos. |
| II — Imposto de Importação | Base e valor próprios. Não embuta o II no preço do produto para depois destacá-lo novamente. |
| IPI, PIS, COFINS e ICMS da importação | Campos próprios de cada tributo, conforme a apuração. Devem integrar o total da importação uma vez. |
| Despesas aduaneiras sem campo próprio | Outras despesas acessórias, quando legalmente integrarem a operação. |
O valor aduaneiro é a referência para quantidade × valor unitário = total do item. Informe os tributos nos campos próprios, sem incorporá-los novamente aos produtos. A RC paulista 5611/2015 explica essa separação.
Frete e seguro nacionais têm tratamento distinto dos internacionais. Pela DN CAT 06/2015, não são acrescentados à NF-e de importação; despesas como armazenagem e honorários do despachante também não entram automaticamente. Confirme a natureza de cada cobrança.
Para despesas sem campo próprio, informe apenas as que pertencem à composição fiscal, como a taxa Siscomex. A RC paulista 15112/2017 aborda também o AFRMM em outras despesas. Confira a versão do leiaute e os campos disponíveis; registre cada valor uma única vez e detalhe as parcelas nas informações complementares.
Havendo vários produtos, confira o rateio por item com a memória do despacho. A RC paulista 10394/2016 orienta o rateio das despesas pelo valor aduaneiro.
Exemplo: como evitar somar o II duas vezes
Exemplo fictício de composição paulista, com valores já apurados. A tabela não ensina alíquotas nem presume tributação de um produto real; não abrange tributos adicionais ou regras da Reforma Tributária.
| Componente | Valor fictício |
|---|---|
| Produtos: valor aduaneiro | R$ 10.000,00 |
| II | R$ 1.000,00 |
| IPI | R$ 200,00 |
| PIS | R$ 100,00 |
| COFINS | R$ 400,00 |
| Outras despesas admitidas | R$ 300,00 |
| ICMS apurado | R$ 2.000,00 |
| Total da nota neste exemplo | R$ 14.000,00 |
Se o preço dos produtos já contiver o II, será R$ 11.000,00. Somar novamente R$ 1.000,00 no campo do II elevaria o total a R$ 15.000,00. Corrija a composição dos produtos e mantenha o II devido em seu campo próprio. Zerar o II apenas para fazer o total fechar não resolve a classificação dos valores.
ICMS: carga efetiva e alíquota são informações diferentes
Na apuração paulista, o ICMS integra sua própria base: é o cálculo “por dentro”. Solicite a memória que considera esse imposto e os demais componentes devidos; calcular o ICMS apenas sobre o preço da mercadoria pode resultar em uma base incorreta.
Um benefício de redução de base exige conferir CST/CSOSN, alíquota interna, base reduzida, percentual de redução, valor do imposto e fundamento legal, inclusive código de benefício quando exigível.
Como exemplo paulista, a RC 25089/2022 explica a carga de 7% para importação de alho nas condições do artigo 3º do Anexo II do RICMS-SP. A técnica é reduzir a base usando a alíquota interna aplicável. Não basta digitar 7% como alíquota e manter uma tributação integral. Confira enquadramento, condições e vigência na data da operação.
Com redução, a base tributável do ICMS pode ser diferente do total da nota. Não altere o total só para igualar esses dois campos.
3. Escolha o caminho no RWA
| Caminho | Uso |
|---|---|
| Movimentos → Comércio Exterior → NF-e de Importação Direta | Preencher diretamente a NF-e de entrada, seus itens, tributos e dados aduaneiros. |
| Movimentos → Comércio Exterior → Adição de Importação | Cadastrar a DI e suas adições, conferir os cálculos e gerar a nota a partir dos lançamentos. |
Os dois caminhos exigem os dados aduaneiros aplicáveis. A emissão direta não dispensa essas informações. O menu traz 3102 como sugestão; confira o CFOP adequado à finalidade da sua importação.
Se uma nota já foi gerada pela Adição, localize-a antes de lançar outra pela emissão direta, para evitar duplicar a entrada.
4. Preencha a NF-e de Importação Direta
- Abra Movimentos → Comércio Exterior → NF-e de Importação Direta. O sistema abre a inclusão; se estiver na listagem, use Incluir (F1).
- Na aba Cabeçalho da Nota, selecione o Fornecedor estrangeiro, previamente cadastrado com país, UF e endereço compatíveis.
- Confira série, numeração, datas, tipo Entrada, natureza e CFOP com a orientação fiscal.
- Na aba Detalhamento dos Produtos (Itens), inclua cada produto com quantidade, unidades, NCM, origem e valor unitário em reais. Para a composição paulista, use o valor aduaneiro sem embutir novamente os impostos.
- Selecione um item e abra Detalhes do Item (F8).
- Confira os tributos e os dados aduaneiros nas abas abaixo.
| Aba do item | O que preencher ou conferir |
|---|---|
| ICMS | Origem, CST/CSOSN aplicável, modalidade e base de cálculo, alíquota, redução e valor apurados. Confira os campos de benefício disponíveis para a operação. |
| IPI (Alt+I) | CST e, quando aplicáveis, base, alíquota e valor. Confira também o enquadramento legal da operação. |
| PIS (Alt+P) e COFINS (Alt+F) | CST, bases, alíquotas e valores correspondentes à importação. |
| DI (Alt+D) | Número da DI, Data Registro DI, Base I.I., Valor I.I., local, UF e data do Desembaraço Aduaneiro; número, sequência e desconto das Adições, conforme o documento. |
| Und. Tributável | Unidade, quantidade e valor tributáveis coerentes com a unidade comercial e a conversão do produto. |
Repita a conferência em todos os itens. O número escrito em observações não substitui os dados estruturados da declaração no item.
IPI zero não significa sempre o mesmo CST
01 identifica entrada tributada com alíquota zero; 03, entrada não tributada. Isenção, imunidade e suspensão também têm códigos próprios. Escolha pelo NCM, TIPI e fundamento da operação, conforme a tabela do leiaute nacional da NF-e. Um valor de IPI igual a zero não autoriza copiar o CST de outra nota.
Confira o cálculo automático antes de gravar
As abas têm opções “Calcula o ICMS/IPI/PIS/COFINS da nota automaticamente”, que usam as regras cadastradas. Compare o resultado com a memória da importação.
Se o responsável fiscal orientar lançar um tributo manualmente, desmarque o cálculo automático desse tributo no item antes de informar os valores. Depois de gravar, reabra e confira: mudar produto, CFOP ou regra pode recalcular os impostos. Se o CST não permitir os campos necessários, peça a revisão do enquadramento.
DI e DUIMP: confira se o número cabe completo
O campo tradicional Número da DI trabalha com a identificação da DI. Na versão atual dessa tela, há uma limitação de comprimento que pode impedir registrar uma DUIMP completa.
Se o número for cortado, não transmita. Abra um chamado para confirmar o suporte à DUIMP na sua versão e a adequação necessária. Não abrevie o número nem use somente as observações para substituir os campos aduaneiros. Dados como adição e sequência também precisam corresponder ao documento e ao leiaute aplicável.
Confira também o número completo na nota gerada pela Adição de Importação. Trocar o caminho de lançamento não dispensa essa conferência.
5. Confira despesas e totalização
- Informe em V. Despesas somente as parcelas admitidas para a operação. Para São Paulo, siga a seção de composição acima.
- Detalhe as despesas e os fundamentos fiscais necessários em Outras Informações / Observações.
- Confira o V. Produtos, os totais de impostos, as despesas e o V. Total Nota contra a memória de cálculo.
No RWA, II e IPI integram a totalização da emissão direta pelos campos próprios. Para uma entrada com CFOP iniciado por 3, existe também um parâmetro da empresa que acrescenta ICMS, PIS e COFINS ao total.
Abra Cadastros → Empresas, selecione a empresa e consulte Customizações → DFe → NFe. O campo aparece como “Soma os impostos ao total da nota para emissão para o exterior?”. Apesar desse texto, seu uso na emissão direta é a totalização da entrada de importação.
Para a composição paulista descrita, confira com o responsável fiscal e o suporte se essa opção deve estar em SIM. É uma configuração da empresa, com efeito em outras notas de importação. Em outra UF ou regime especial, confirme a composição exigida antes de alterá-la.
Não some esses tributos novamente em V. Despesas ou no preço dos produtos. Se o total continuar divergente, peça a revisão dos componentes e da configuração, em vez de ajustar um imposto só para alcançar o valor esperado.
6. Alternativa: lançar pela Adição de Importação
- Abra Movimentos → Comércio Exterior → Adição de Importação e use Novo (F1).
- Na aba Cabeçalho (Alt+C), preencha empresa, código da DI, adição, declaração e datas conforme o documento. Cadastre uma adição por lançamento.
- Confira fornecedor, desembaraço, CFOP, moedas e taxas de conversão da declaração. A taxa usada no despacho pode ser diferente da taxa do pagamento ao fornecedor.
- Preencha os componentes de mercadoria, frete e seguro internacionais e as despesas nos campos correspondentes. Confira VMCV, VMLE, acréscimos, deduções e Siscomex. Evite repetir valores já incluídos em outro componente.
- Na aba Produtos (Alt+P), use Incluir Item (F1) para lançar os produtos com quantidades e valores da adição.
- Na aba Imposto (Alt+I), confira o detalhamento das bases e valores calculados por item contra a memória fiscal. Os cálculos do sistema dependem do cadastro e dos dados lançados.
- Use Confirmar (F11) para salvar o lançamento.
- Na aba Gerar NF-e (Alt+N), confira a declaração, as adições e itens apresentados, modelo, série, número e forma de pagamento; então use Gerar NF-e.
- Abra Movimentos → Faturamento → Controle de NF-e e localize a nota gerada como Aguardando Edição. Abra a nota para conferir itens, DI, CSTs, impostos, despesas e total antes da emissão.
Gerar NF-e nessa tela prepara a nota para edição; a autorização depende da transmissão posterior. Confira também os totais após qualquer edição da nota gerada, pois o recálculo pode usar os parâmetros da empresa.
Campos como Capatazias ou Antidumping não significam que qualquer cobrança pode ser adicionada automaticamente à NF-e paulista. Confirme a natureza, a incidência e a composição com o responsável fiscal antes de gerar.
7. Revise e emita
- Use Gravar (F9) na nota para guardar o lançamento sem transmitir.
- Reabra e confira todos os itens e totais após a gravação.
- Use Pré DANFE para revisar cabeçalho, produtos, totais e informações complementares.
- Solicite a conferência fiscal da declaração completa e da memória de cálculo, inclusive dos dados que não ficam visíveis no DANFE.
- Com a conferência concluída, use Emitir (F11) na nota.
- Acompanhe a situação no Controle de NF-e e confirme autorização, chave e protocolo. Guarde o XML autorizado com os documentos da importação.
Para São Paulo, a DN CAT 06/2015 orienta emitir a nota antes da entrada no estabelecimento, para acompanhar o trânsito desde o desembaraço. Planeje a conferência antes da retirada da mercadoria.
Conferência final
- Fornecedor, país, tipo Entrada, CFOP e NCM correspondem à operação.
- Quantidades, unidades e valores dos itens conciliam com a declaração.
- Número completo e demais dados aduaneiros estão nos campos dos itens.
- CSTs, bases, alíquotas, valores e benefícios têm fundamento confirmado.
- Produtos, II, demais impostos e despesas entram no total uma única vez.
- Total da nota corresponde à composição fiscal apurada; a base do ICMS foi conferida separadamente.
- Estoque e financeiro refletem os lançamentos pretendidos. O total fiscal da importação pode diferir do valor devido ao fornecedor estrangeiro.
Reforma Tributária: confira a data e a versão
Este exemplo de composição não é um cálculo de IBS, CBS ou Imposto Seletivo. Para os grupos aplicáveis, confira o enquadramento, o cronograma vigente e o suporte da versão do RWA antes de emitir. Consulte as orientações oficiais da Receita Federal sobre a Reforma Tributária. Valores sugeridos na tela precisam de conferência fiscal.
Exportação
Para emitir diretamente uma saída ao exterior, use Movimentos → Comércio Exterior → NF-e de Exportação. Confira cliente estrangeiro, CFOP de saída, itens, unidades, dados de embarque e enquadramento fiscal antes de emitir.
O menu Adição de Exportação abre o fluxo de cadastro por adição no sentido de saída. Confira os dados e a nota gerada; a composição e tributação da importação explicadas acima não servem de modelo para uma exportação.
Perguntas frequentes
Minha empresa está fora de São Paulo. Posso seguir o mesmo total? Use os passos de tela, mas confirme as regras de ICMS e de composição com a legislação da UF competente. A orientação paulista foi identificada separadamente neste manual.
O total aumentou depois que informei o II. O que conferir? Confira se o valor dos produtos já continha o II. Revise o valor aduaneiro e mantenha o imposto apurado no campo próprio. Verifique também despesas e o parâmetro de totalização.
A nota autorizou. Isso prova que a composição está correta? Não. A validação nacional da soma usual do total tem uma exceção para importação com CFOP iniciado por 3, documentada na regra W16-10 da NT 2023.001. A autorização não substitui a revisão fiscal.
A SEFAZ rejeitou por falta de dados de IPI ou importação, mas o imposto é zero. Confira o CST de entrada e os dados exigíveis nos itens. Valor zero e ausência do grupo do imposto são situações diferentes. Use a declaração e o fundamento fiscal para preencher; não escolha um CST apenas para passar na validação.
Apareceu Consumo Indevido. Reenvio até autorizar? Leia a rejeição original, corrija e grave a nota. Respeite o bloqueio e a orientação do suporte antes de reenviar. Se houver dúvida sobre uma autorização pendente, consulte a situação da nota antes de qualquer nova emissão.
Preciso corrigir uma nota já autorizada. Separe XML, declaração e memória fiscal e peça ao contador a orientação de regularização. Alterar o lançamento local não altera o XML autorizado. Não gere uma segunda entrada sem definir o tratamento da primeira.
Referências e atualização
Orientações consultadas em 30/09/2026, com links oficiais ao longo do texto. Respostas a consultas paulistas explicam situações específicas e aproveitam ao consulente nos termos da legislação; não representam autorização individual para aplicar um benefício. Confira alterações posteriores e a legislação vigente na data da operação.